Bipolaridade, TOC e TDAH

Bipolaridade não é a simples oscilação do humor;

TOC não é sobre alinhar os móveis;

Nem toda desatenção é TDAH;

Autismo não é uma doença;

Narcisista não é uma pessoa que gosta de deter toda a atenção;

Muitos termos foram banalizados na internet, e muitos se apropriam sem ter a menor noção do conceito. Esse artigo é um apelo ao não rótulo, a não dar nomes ou patologizar características de personalidade, pois todos têm o direito a serem como são, e está tudo bem. Como a pessoa pensa, sente e age forma a sua identidade.  E é importante que se viva com coerência.

E por outro lado, este artigo também é um pedido a não discriminação para com aqueles que receberam um diagnóstico. Por trás de cada diagnóstico, há um caminho de dor, prejuízos e sofrimento, pessoas que buscam a compreensão sobre si. Há muito impacto na vida de quem tem uma condição neurológica ou psiquiátrica. Só quem trilhou ou trilha esse caminho, sente as chagas nos pés. 

Abaixo uma descrição resumida, e que de antemão não chega nem perto da dor que se sente:

O paciente bipolar alterna episódios de euforia e elevada energia (fase de mania ou hipomania) com períodos de depressão. Importante ressaltar que alterações de humor são comuns a qualquer indivíduo e há muitas pessoas que transitam facilmente da alegria para irritação ou tristeza, mas o que caracteriza o transtorno bipolar é a intensidade, a forma extrema como o humor se altera, a ponto de atrapalhar seriamente a vida profissional e pessoal. Na fase depressiva, o paciente apresenta inclusive, risco de suicídio, nas fases maníacas, o paciente não fica só feliz, ele costuma apresentar comportamentos impulsivos, irresponsáveis e inconsequentes.

O transtorno obsessivo-compulsivo, (TOC), é um transtorno ansioso, se caracteriza por pensamentos obsessivos e intrusivos e são muito negativos. A condição causa comportamentos compulsivos e repetitivos, normalmente relacionados à limpeza e organização. É muito comum que paciente com TOC acredite que se deixar de cumprir algum ritual, algo terrível poderá acontecer.

Não existe autismo leve, autismo é autismo, e para que um indivíduo receba o diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) precisa apresentar déficit persistente na comunicação e na interação social (e em vários contextos), padrões repetitivos de comportamento, ou interesse restrito. E raramente vem sozinho, é muito comum no quadro de autismo haver comorbidades (ocorrência simultânea de outra condição médica).

Nem toda desatenção é TDAH, até porque desatenção é sintoma de vários transtornos e de modo geral, um pouco de desatenção todo mundo tem, para que seja TDAH, tem que apresentar prejuízo clínico. A desatenção impacta diretamente no comportamento, no desempenho acadêmico e na interação social. Há déficits cognitivos, como dificuldade na memória, no planejamento, no controle inibitório, na aprendizagem. É identificado na infância e caracteriza-se por três principais sintomas: falta de atenção, hiperatividade e impulsividade, mas não necessariamente em conjunto, há TDAH predominantemente desatento, predominantemente hiperativo ou combinado.

Pessoas com Transtorno de personalidade narcisista, tem sentimento excessivo de importância de si próprio, se percebem superiores / especiais, buscam aplausos e admiração constante, sonham com possibilidades ilimitadas de poder, sucesso e conquistas, tem necessidade de reconhecimento e desvalorizam outras pessoas, podem ser vistos como arrogantes, vaidosos e pretensiosos.  Podem explorar outras pessoas por se acharem com mais direitos, exigem privilégios, são invejosos e acreditam que todos tem inveja deles, mantém os relacionamentos que aumentam a sua autoestima.  Falta-lhes empatia, não percebem os sentimentos alheios. Contudo, nem todo narcisista tem o mesmo comportamento. Há o narcisista grandioso (como citado acima) e há o narcisista vulnerável. Este é inseguro, mais sensível à crítica e pode ter depressão.

Com ou sem quadro clínico, o indivíduo é único. Respeitar as diferenças, aceitar a singularidade, promover a inclusão, ser empático, é um ato de civilidade.

E dentro de cada um pulsa o desejo por felicidade, não por perfeição. Uma busca contínua por pertencimento, amor, significado, propósito e conexão. Ninguém atravessa a vida sozinho, precisamos uns dos outros, porque todos somos humanos.