Hipnose coletiva

Seneca em “a brevidade da vida” discorre sobre como o homem rouba tempo e é roubado, e em como tem uma vida sem proveito, sem prazer e sem progresso. Fala que ninguém tem a morte diante dos olhos, mas vivem como se mortos já estivessem.

Essa reflexão segue atual. Há um tempo tenho observado o que chamei de hipnose coletiva. Um planeta inteiro deixando a vida se esvair, permitindo que roubadores de tempo aniquilem toda a possibilidade de uma vida produtiva. Nações inteiras e de todas as gerações são hipnotizadas por um aparelho eletrônico que já quase faz parte do corpo.

Outro dia, estava no aeroporto, e era um ir e vir de pessoas vidradas na tela do celular, como zumbis…  Nunca me ocorreu que zumbis pudessem existir de verdade, até agora…

Somos seres sociais e precisamos de contato para desenvolver nossos aspectos emocionais, contudo o uso desenfreado da tecnologia tem nos desaproximado uns dos outros, estamos perdendo a nossa capacidade de nos relacionar. Não nos   sentamos mais para conversar de modo saudável, há muita dificuldade em lidar com as frustrações, há muitos ruídos na comunicação, fazendo com que os diálogos sejam confusos e tóxicos. Por meio de um aparelho temos acesso a milhares de pessoas e nunca nos sentimos tão sozinhos.

Sim, as redes sociais crescem, mas o ser humano está isolado e cada vez mais vulnerável, questões básicas da vida diária têm causado ansiedade, depressão, além de agravar processos de doença mental.

Perde-se tempo de vida em busca de likes, engajamento, aceitação virtual. 

E quantos acidentes já vimos, desde pequenas quedas, ou batidas de cabeça em objetos, ciclistas que ao se desviar de pessoas   desatentas com seu celular em punho, são atropelados e muitas vezes vem à óbito. Acidentes de trânsito então… É sério que o celular não pode esperar? Uma notificação qualquer de qualquer aplicativo vale a sua vida? Mas o ápice ocorreu a poucos dias, o caso da jovem Maria Eduarda, que ao se predispor a fazer um rope jump, foi lançada sem as cordas. Havia muitas pessoas lá, mas ninguém estava presente. E como se não bastasse a tragédia, um sem-número pessoas, postando e repostando para ter engajamento. É muito triste isso… 

É necessário que haja um equilíbrio entre a vida real e a vida virtual. É urgente que se dê um basta em reels, lives, likes, treads, storys,  para viver a vida com intensidade e quando ela acontece.