O ser tóxico

Na psicologia usamos o termo “tóxico” de forma figurada, como modo de descrever pessoas cujas atitudes causam sofrimento a outros.

Uma pessoa tóxica coloca as suas necessidades acima das necessidades das outras pessoas. Manipula o outro, de forma que este comece a duvidar de seus próprios sentimentos, intenções e ações. Culpa o outro por tudo que acontece, distorce situações e raramente assume responsabilidades por atos e consequências. Critica o outro com frequência, sendo por vezes agressivo, sarcástico, desvaloriza a pessoa e minimiza suas dores e sentimentos.

Quem convive com uma pessoa toxica tende a ter uma baixa estima, ansiedade, depressão, estrese emocional e dificuldade em manter relacionamentos saudáveis.

Para o leitor que conseguiu visualizar pessoas de seu convívio, algumas dicas: defina o que é aceitável e o que não é tolerável, ninguém é obrigado a nada, e principalmente a sofrer abusos. Comunique-se bem, seja claro e direto (sugiro leitura de comunicação não violenta- Marchal B. Rosenberg) e evite discussões inúteis. Distancie-se, isso é autopreservação.

Mas ainda há um outro ponto, pessoa toxica segue um padrão de comportamento aprendido (muito provavelmente também foi vulnerável a situações pregressas semelhantes) e muitas vezes não percebe que é.  Sabemos que comportamentos podem ser modificados, requer autoconhecimento, automonitoramento e apoio terapêutico. E a pergunta que não quer calar: quanto de mim eu conheço? Quais situações eu posso estar sendo toxico e o quais comportamentos já estão tão automáticos que foram banalizados. Não podemos mudar o outro, cada um cuida de si, aquilo que eu perceber no outro, devo olhar com cuidado para ver se também exerço atitude semelhante.   O fato de perceber no outro em nada muda minha vida, o que realmente muda, é o olhar para dentro, é o reconhecer-se, assumir responsabilidades e não ser inconstante. É preciso coragem para olhar para dentro de si e enxergar aquilo que precisa ser mudado. A tarefa de todo ser humano é ser melhor a cada dia, se em tenra idade, tinha comportamentos x e y e cheguei à maturidade com as mesmas atitudes, então, o que fiz por mim?

O mundo está em constante evolução, e precisamos também seguir esse fluxo de mudança, se perceber e se melhorar, sempre. O ponto é este, não se ocupar do outro, ocupar-se de si. Não seja tóxico!