Percebo meu filho muito ansioso, o que devo fazer?

Esse é um dos questionamentos mais frequentes que recebo no consultório. Primeira coisa que eu peço é para que os pais exemplifiquem  os comportamentos que entendem como “muito ansiosos”, isso porque ansiedade todos tem, mas há diferença entre ansiedade normal e ansiedade patológica. A ansiedade normal é uma reação temporária, saudável e que prepara o corpo para determinadas situações, ou seja, uma reação natural do organismo ligada ao instinto de sobrevivência. Os sintomas são falta de sono, perda de apetite, aumento da respiração e da frequência cardíaca. A ansiedade normal dura pouco e não exige esforço intenso para ser controlada, sintomas passam quando a preocupação acaba.

Já a ansiedade patológica, é aquela que se apresenta excessivamente, de forma desproporcional ao problema ou sem motivação específica.

Segundo passo é entender quais as situações que desencadeiam a ansiedade. Muitas vezes estão ligadas a dinâmica familiar. Pais agitados criam filhos agitados, pais ansiosos criam filhos ansiosos. E aqui não é algo para despertar culpa nos pais, o psicólogo nunca está na posição de julgador, mas de mediador, que ajuda a mudar o olhar e refletir sobre determinados pontos da vida.

E com o olhar nessa dinâmica, como está a agenda do filho? É muito comum nos dias de hoje, a criança ter uma agenda de compromissos. A intenção familiar é boa, mas é importante ter em mente que a criança precisa ter tempo para ser criança, por vezes essa rotina cheia de compromissos desperta a sensação de correria, e um receio de não atender as expectativas dos pais. Sugiro aos pais que reduzam os compromissos da criança.

Como está o seu tempo com seu filho? Muitas vezes devido as demandas do dia a dia, é complicado para os pais, simplesmente reduzirem seus compromissos, como sugerido na rotina da criança, mas é imprescindível que o tempo disponível esteja inteiro, totalmente presente para o seu filho e não simplesmente dividindo o mesmo ambiente. Desligue o celular, brinque sem interrupções, permita que ele divida seu dia, suas questões sem receios de como irão receber o que ele falar.

Não permita que a criança presencie ou ouça as discussões entre você e seu cônjuge. Não estamos aqui no conto de fada, no relacionamento cor de rosa das redes sociais, dificuldades conjugais existem, fazem parte da vida, mas a criança não precisa se envolver emocionalmente nessas questões.

Procure um psicólogo infantil para ajudar a criança a entender suas emoções, elaborá-las e ressignificá-las. Mas tão importante quanto a criança estar bem, é que os pais também estejam bem, pois se não estiverem não conseguirão acolher a dor da criança.

Gosto muito da reflexão da mãe que vai ao shopping com a filha e em determinado momento vão ao banheiro, após lavar as mãos, a mãe pega o papel e entrega para a filha secar as mãozinhas dela e não sequência pega o papel para secar as suas. Repare que nesse caso, a mãe entrega para a filha papel molhado. Ela deveria primeiro secar as suas mãos e depois entregar o papel para a filha. É a mesma analogia dos procedimentos de segurança de um avião: Se houver despressurização do ar, máscaras de oxigênio cairão, primeiro coloque-a em você, depois em quem está ao seu lado.