A ideia de treinar o desconforto pode parecer estranha em um primeiro momento, e por isso, gostaria começar com um proverbio oriental: “tempos difíceis fazem homens fortes”.
Treinar o desconforto é importante para ensinar o cérebro a ficar calmo diante de situações adversas, e uma forma de nos tornamos seres humanos mentalmente mais fortes. Com essa prática de “desconforto voluntário”, você se coloca em situações físicas ou mentais desafiadoras para aumentar a resiliência, autodisciplina, e crescimento pessoal, e podem ser, inclusive exercícios físicos, que treinam força e resistência. Esta opção além do treino do desconforto, previne doenças, mas ouça seu corpo e tenha profissionais para auxiliar, de modo que consiga diferenciar desconforto de lesão. Mas você pode pensar: “Ah, exercício físico é comum em nossa sociedade”. Sim, mas hoje eu não vou porque estou cansado, porque estou com fome, porque tive um dia difícil, porque está frio, porque está calor, porque está chovendo, porque estou menstruada, porque está tarde, porque a academia vai estar cheia, porque não gosto, porque fulano é chato, amanhã eu vou, E T E C É T E R A… a mente inventa muitas desculpas e com uma capacidade de convencimento ímpar.
Tomar banho frio, treinar em dias de calor intenso, reduzir confortos materiais são outras opções de treino de desconforto. E sim, conforto material não nos prepara para as adversidades, nem em como reagir sob pressão, além de nos manter tensos e com medo sobre a possibilidade de perda.
Dedique-se pelo menos 15 minutos por dia para aprender algo. Sim, o desafio de aprender algo novo, causa desconforto, principalmente quando já se tem uma carreira consolidada, ou quando fazemos algo muito bem, é estranho quando percebemos que não sabemos fazer algo, mas abre portas (e a mente) para uma infinidade de coisas possíveis de se aprender.
Sempre que nos submetemos a dificuldades controladas, fortalecemos caminhos neurais ligados a resolução de problemas, enfrentamento e criatividade, o que nos permite lidar melhor diante de desafios concretos. Aumenta a nossa confiança, nosso autocontrole, diminui a ansiedade, pois quando fazemos coisas difíceis, criamos evidências de nossa capacidade em suportar desafios. Melhora o controle emocional, ficamos mais resistentes a frustração, pois gerencia melhor o cortisol e adrenalina. Nos ajuda a desenvolver habilidades, nos ensina sobre perseverança, empatia e autoconhecimento.
A ideia não é submeter-se de forma extrema, mas que ao nos acostumarmos a nos desafiar, com certa constância, os desafios reais e as dificuldades da vida não nos abalem sobremaneira, afinal a adversidade é um campo rico para força interior, cada desafio superado é uma vitória sobre si mesmo, e na vida, as maiores batalhas não são contra os outros, mas sobre como vencer a nós mesmos.